A Skild AI anunciou o lançamento do S1, um modelo de fundação robótica concebido para resolver um dos problemas mais persistentes na automação industrial: a rigidez dos sistemas atuais. Em ambientes como fábricas e armazéns, onde a disposição dos equipamentos e os processos mudam frequentemente, a maioria dos robôs exige uma reprogramação morosa e dispendiosa para se adaptar a novas tarefas. O S1 altera este paradigma ao permitir que o robô aprenda a executar ações complexas e inéditas apenas observando um único vídeo de demonstração, sem que seja necessário atualizar os pesos do modelo ou realizar treinos específicos para cada tarefa.

Esta capacidade de aprendizagem em contexto permite que o robô interprete a intenção, os objetos envolvidos e a sequência de movimentos necessários para concluir uma tarefa. Segundo a empresa, o modelo é capaz de realizar operações que duram até dez minutos, incluindo atividades como a montagem de kits ou a preparação de café, combinando competências que não faziam parte do seu treino original. Em testes internos, a Skild AI reportou uma taxa de sucesso de 66% em tarefas de múltiplos passos, um desempenho significativamente superior aos 9% registados por sistemas de inteligência artificial comparáveis.

A infraestrutura tecnológica por detrás do S1 é fruto de uma colaboração profunda com a NVIDIA, abrangendo desde a geração de dados sintéticos até à simulação e implementação no mundo real. A Skild AI utiliza tecnologias como o NVIDIA Isaac Lab e o motor de física Newton para criar ambientes virtuais onde os robôs podem treinar e validar comportamentos antes de serem colocados em operação. Esta abordagem reduz o hiato entre a simulação e a realidade, permitindo que os engenheiros testem cenários críticos e ajustem parâmetros físicos como a pressão e o contacto com objetos.

O impacto desta tecnologia já se faz sentir em ambientes de produção real. Em parceria com a Foxconn, a Skild AI está a implementar o seu sistema em manipuladores de braço duplo para a montagem de sistemas NVIDIA Blackwell. Nestes cenários, os robôs demonstram capacidade para instalar componentes, apertar parafusos e adaptar-se a perturbações no ambiente de trabalho, mantendo a precisão necessária para processos de alta tecnologia. A empresa afirma que a utilização de um vídeo de demonstração pode equivaler a cerca de 380 exemplos de treino manual, poupando dezenas de horas de trabalho humano.

O lançamento do S1 ocorre num momento de expansão comercial para a Skild AI, que atingiu uma receita anualizada de 100 milhões de dólares dez meses após a sua primeira implementação comercial. Com mais de 60 parcerias em setores que vão desde a logística à segurança e preparação de alimentos, a empresa procura escalar a sua tecnologia. A colaboração com a NVIDIA continua a evoluir, com o desenvolvimento conjunto de novos solucionadores de simulação acelerados por GPU, que serão futuramente disponibilizados à comunidade de programadores através do motor Newton.

Porque importa

A capacidade de ensinar robôs através de demonstrações visuais simples representa uma mudança fundamental na robótica industrial. Ao reduzir a dependência de reprogramação manual e conjuntos de dados massivos, esta tecnologia torna a automação acessível a ambientes de trabalho mais flexíveis e menos previsíveis, acelerando a adoção de robôs inteligentes em setores que anteriormente eram difíceis de automatizar.

Fontes

Skild AI Taps NVIDIA Physical AI to Teach Robots New Tasks From a Single VideoNVIDIA ↗